quarta-feira, 25 de julho de 2012

Eu não preciso ser igual.


Até onde as músicas que eu ouço, as bandas que eu gosto, as roupas que eu visto, as cores que eu uso, os sonhos que eu tenho, os que eu realizo, as minhas conquistas, as minhas derrotas, até onde tudo isso me define como pessoa? Até onde eu posso ser julgada, analisada, observada, dissecada como material de análise por não ter os mesmos gostos, as mesmas ambições, as mesmas necessidades daqueles que se colocam no papel de observadores críticos da minha realidade?

Até onde eu me torno menos pessoa, menos filha, menos irmã, menos digna, menos merecedora por não ser “perfeita” dentro da concepção do outro? Até onde as minhas preferências, por mais simples, singelas e inúteis que sejam, me tornam uma má pessoa? Só porque eu prefiro vermelho ao preto; porque eu penso em conhecer o mundo antes de plantar uma árvore e escrever um livro; só porque meu gosto musical não é sofisticado, requintado ou popular; porque eu prefiro músicas que me acalmem a alma, mesmo que eu não entenda os motivos, do que aquelas que me fazem pensar demais; porque eu prefiro ser a palhaça brincalhona, mesmo que só meu travesseiro saiba o tanto de lágrima escondida ali existe, será que por ser assim eu me torno uma má pessoa, um mau exemplo, uma má companhia?


É chato fingir que não gosta, que não viu, que não se importa. Não poder se expressar, não poder se fazer ouvir por saber que vai ser melhor virar um tatu bola e voltar pra casinha do que se sentir um lixo nuclear depois, capaz de contaminar, se sentir vazia, fraca, diminuída, insuficiente e pensar em mudar pra agradar os críticos. É chato!

É chato, mas é uma escolha. Eu nunca fui de me importar, na época de colégio eu usava bem o botão do “f*-se”, não precisava agradar ninguém, eu me bastava, na faculdade eu consegui manter um pouco disso, mas fui me deixando ser dominada pela opinião, pela crítica, pela necessidade de agradar constantemente. Adivinha... Me perdi. Eu já não me basto e procuro fora de mim as minhas raízes. Eu preciso ser aceita, eu preciso ser perfeita pra não ter a sensação de que estou sozinha ou afastando as pessoas de mim.

Me pego ouvindo músicas escondidas como se fosse uma subversora, me condenando por desejar estar viajando ao invés de estar com insônia em casa, me podando dos sonhos mais loucos que eu as vezes ainda tenho, por me sentir ingrata, mesquinha, egoísta. Mas... eu não sou nada disso.

Todo mundo tem defeito e qualidade, mas defeito, pra mim, é ser desonesto, egoísta, ruim, maldoso, cruel, perverso e não ter e ser diferente. Será que eu preciso ser outra pessoa pra agradar? Mas ser outra pessoa é fingir, é não ser eu mesma, é representar um papel que talvez não me caiba, é dar ao outro a chance de não me conhecer, de me modificar, de me moldar.

Tá vendo? Isso que dá não ouvir as músicas que me acalmam. Pior que isso é tão vago, um devaneio tão sem sentido, tão aleatório, mas que ao mesmo tempo revela tanto de como eu tenho me sentido nos últimos tempos que fica fácil ver porque eu me perdi: porque nem eu sei quem eu sou e pra onde eu estou indo.

E pra não correr o risco de me perder de vez, eu vou é pra cama, lugar bom de chorar e pensar, já dizia minha avó.

Um comentário:

Amanda Martins Silva disse...

Incrivel como me sinto igual a voce